quarta-feira, 25 de julho de 2012


                           Falar sem dizer nada

Para aquelas pessoas que não entendem a Fibromialgia. Eu não sou tão afortunada quanto tu. Tenho a predisposição de sofrer duma síndrome com dor crónica, fadiga e problemas cognitivos. Foi-me diagnosticada depois de anos de problemas físicos e emocionais. Sei que não conheces a realidade do meu sofrimento, chamas-me de preguiçosa, acusas-me de simular estar doente para não trabalhar. É simplesmente ridículo! Deixas-me só. Se tens tempo para ler isto, quero ajudar-te a entender o quão diferentes somos tu e eu. A minha dor não é igual à tua dor, não posso trabalhar da mesma forma que tu, pois o meu corpo se esgota muito mais facilmente e o meu cérebro é incapaz de se concentrar. Não é uma dor que se manifesta só numa parte do corpo. Não é causada por nenhuma inflamação e tomar comprimidos para as dores nem sempre ajuda devido aos seus fortes efeitos secundários. A minha dor é provocada por sinais que o meu cérebro envia de forma errada devido a um problema do sistema nervoso central. Não é compreendida, mas é real! Tão real quanto eu estar aqui a falar contigo e ao mesmo tempo existir a possibilidade de pontadas de dor percorrer os meus membros e ainda assim te dirigir um sorriso, desacreditando assim a minha teoria.

Fadiga!

Não estou só cansada, estou exausta.

Eu quero ter uma actividade física e mental normal, porém não posso. Por favor, não tomes como algo pessoal.

Sem saber falo contigo mas não respondo às tuas chamadas, entende, não é porque não queira. Estou a pagar o preço por forçar demasiado e o meu cérebro, para além da sua capacidade.

Problemas cognitivos.

Talvez não me recorde do teu nome, mas recordo sempre o teu rosto. Talvez não me lembre do que prometi ontem fazer por ti. Não te zangues se não me recordo do teu aniversário, dos nossos planos, se às vezes não te escuto. Minha mente está esgotada e não tem a ver com a idade, nem tenho Alzheimer. Esta falta de memória está relacionada com distúrbios do sono. Minha falta de jeito.

Se piso os teus pés, tropeço nas tuas coisas, se me caem das mãos. Se estás atrás de mim numa escada e eu não me despacho, por favor, tem paciência, não tenho controlo sobre os meus músculos.

Minha sensibilidade.

Posso não conseguir estar muito tempo no mesmo sítio. Incomoda-me a luz, o ruído, os odores, a multidão.

Minha intolerância.

Não aguento muito calor, a humidade, tão pouco o frio. O meu termóstato interno não funciona.

            Minha depressão.

Há dias em que só me apetece ficar na cama e morrer. A dor severa causa depressão.

O mal-estar contínuo, provoca o isolamento e um retraimento social. Quando te abandonam por não te compreenderem numa situação assim, descobres quem afinal, te importa de verdade. Dás-te conta que tens menos pessoas do que aquelas que pensavas. Pessoas com fibromialgia se suicidassem por não aguentar mais o sofrimento. Mas tu podes salvar-me do abismo.

 O meu stress.

Se tenho de deixar as minhas tarefas e delegar as minhas responsabilidades não é por preguiça. Se necessito de constante tranquilidade e não estar submetida a nenhuma situação tensa e agoniante, não é por comodidade.

O stress é constante pode piorar os sintomas e incapacitar-me.

Meus pés, minhas mãos.

O inchaço que me faz deixar cair as coisas.

Meus dias bons.

Se me vês sorrir, não assumas que estou bem. Não me julgues.






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