Falar sem dizer nada
Para
aquelas pessoas que não entendem a Fibromialgia. Eu não sou tão afortunada
quanto tu. Tenho a predisposição de sofrer duma síndrome com dor crónica,
fadiga e problemas cognitivos. Foi-me diagnosticada depois de anos de problemas
físicos e emocionais. Sei que não conheces a realidade do meu sofrimento,
chamas-me de preguiçosa, acusas-me de simular estar doente para não trabalhar.
É simplesmente ridículo! Deixas-me só. Se tens tempo para ler isto, quero
ajudar-te a entender o quão diferentes somos tu e eu. A minha dor não é igual à
tua dor, não posso trabalhar da mesma forma que tu, pois o meu corpo se esgota
muito mais facilmente e o meu cérebro é incapaz de se concentrar. Não é uma dor
que se manifesta só numa parte do corpo. Não é causada por nenhuma inflamação e
tomar comprimidos para as dores nem sempre ajuda devido aos seus fortes efeitos
secundários. A minha dor é provocada por sinais que o meu cérebro envia de
forma errada devido a um problema do sistema nervoso central. Não é
compreendida, mas é real! Tão real quanto eu estar aqui a falar contigo e ao
mesmo tempo existir a possibilidade de pontadas de dor percorrer os meus
membros e ainda assim te dirigir um sorriso, desacreditando assim a minha
teoria.
Fadiga!
Não estou só cansada, estou exausta.
Eu
quero ter uma actividade física e mental normal, porém não posso. Por favor,
não tomes como algo pessoal.
Sem
saber falo contigo mas não respondo às tuas chamadas, entende, não é porque não
queira. Estou a pagar o preço por forçar demasiado e o meu cérebro, para além
da sua capacidade.
Problemas
cognitivos.
Talvez
não me recorde do teu nome, mas recordo sempre o teu rosto. Talvez não me
lembre do que prometi ontem fazer por ti. Não te zangues se não me recordo do
teu aniversário, dos nossos planos, se às vezes não te escuto. Minha mente está
esgotada e não tem a ver com a idade, nem tenho Alzheimer. Esta falta de
memória está relacionada com distúrbios do sono. Minha falta de jeito.
Se
piso os teus pés, tropeço nas tuas coisas, se me caem das mãos. Se estás atrás
de mim numa escada e eu não me despacho, por favor, tem paciência, não tenho
controlo sobre os meus músculos.
Minha sensibilidade.
Posso
não conseguir estar muito tempo no mesmo sítio. Incomoda-me a luz, o ruído, os
odores, a multidão.
Minha intolerância.
Não
aguento muito calor, a humidade, tão pouco o frio. O meu termóstato interno não
funciona.
Minha
depressão.
Há
dias em que só me apetece ficar na cama e morrer. A dor severa causa depressão.
O
mal-estar contínuo, provoca o isolamento e um retraimento social. Quando te
abandonam por não te compreenderem numa situação assim, descobres quem afinal,
te importa de verdade. Dás-te conta que tens menos pessoas do que aquelas que
pensavas. Pessoas com fibromialgia se suicidassem por não aguentar mais o
sofrimento. Mas tu podes salvar-me do abismo.
O meu stress.
Se
tenho de deixar as minhas tarefas e delegar as minhas responsabilidades não é
por preguiça. Se necessito de constante tranquilidade e não estar submetida a
nenhuma situação tensa e agoniante, não é por comodidade.
O
stress é constante pode piorar os sintomas e incapacitar-me.
Meus pés, minhas mãos.
O
inchaço que me faz deixar cair as coisas.
Meus
dias bons.
Se
me vês sorrir, não assumas que estou bem. Não me julgues.

Sem comentários:
Enviar um comentário