quarta-feira, 25 de julho de 2012


                                                     A  tal coisa natural



Se nos falece o marido, somos viúvas. Se perdemos um filho, somos o quê?

Que nome se dá a um pai, a uma mãe que perde um filho?

Não existe, porque não é natural os filhos partirem antes dos pais! É extremamente cruel um filho perder para o além, um pai ou uma mãe. Mais muito mais cruel ainda é um pai, uma mãe ver o seu fruto partir, na grande parte das vezes, de forma estúpida e desumana. A lei da vida, ou da sociedade, para ser mais concreta, direcciona a morte pela ordem de idade e de gerações. Esta mesma sociedade, que ignora os velhos e critica os jovens, rotulando até, como geração rasca.

Nascemos, crescemos, vivemos, e morremos! Nada mais certo e verdadeiro. Todos apregoamos que é a coisa mais natural da vida, faz parte, é mesmo assim! Então porque é que assim sendo, morremos por dentro quando a vida “normal” nos tira alguém sem avisar, sem pedir, sem piedade? Quem morre por dentro, não estava preparado para a morte, aliás, ninguém está! Quando o desaparecimento é repentino a dor é ainda maior, não te dá tempo para a despedida, para a adaptação à nova realidade. Todos dizem que não querem sofrer nem fazer ninguém sofrer, e que então desejam uma morte rápida e serena. Pois digo-vos, é de muito egoísmo desejar algo assim. Confesso, desejo uma morte que me de tempo para me despedir, para pedir desculpa a quem devo, para lembrar que amo a quem amo, e assim partir tranquila, pois nada ficou por dizer e fazer. Assim como, desta forma, quem me rodeia terá tempo para viver a morte que se aproxima. Falo naturalmente da morte, mas tenho um medo de morte dela. Não quero morrer! Não quero! Mas sei que, nem a tecnologia mais avançada, nem a medicina mais descoberta, me safará de tal destino. Tento não pensar muito nela, entretanto ela relembra-me todos os dias que certo dia, virá.

Nada me prende a este mundo. Família, pais, amigos, e conhecidos. Nenhum destes me faz ansiar pela vida. Só necessito de um, somente um para me agarrar a vida. O meu filho, o meu fruto, o meu contributo enquanto humana e mulher. Ninguém precisa mais de mim do que ele! Por ele recuso-me a partir, quero ver, viver, reviver, tudo que é dele. Por vezes tento dar o meu melhor a ele, mas não tenho sucesso, por vezes consigo o que quero mas não o que preciso. Quando se perde algo e não se pode repor, as lágrimas cansam-me mas não consigo dormir. Luzes me guiarão pelo caminho da fixação. O que está para a frente só nós sabemos mas não vemos. Serei um dia uma estrelinha que brilhará para ele, brilhará iluminando o caminho e guiando o seu destino. Olharei sempre por ti! Se aquela força maior de que todos falam mas ninguém viu te levar de mim, leva uma parte de mim para que sintas sempre a presença da mãe! Amo-te mais que tudo filho… ! Quando leres isto, provavelmente já cá não estarei… olhar-te-ei lá do alto!


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