sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Estamos aqui as duas na solidão. Ou não, afinal de contas temo-nos uma à outra. Tu escutas-me sem que eu fale, eu oiço-te sem que te pronuncies. És cinzenta e triste tanto quanto invisível, fazes-te sentir como se gigante fosses. Classificam-te com ínumeros adjectivos negros e mal intecionados, o que eles não sabem é que és a melhor confidente. Perdoa-me quando em desabafo lamento estar só, semtir...
-te-ás ofendida eu sei, estás sempre comigo fielmente. Dentro destas quatro paredes tomo café, a cada colherada de açucar olhas-me de soslaio, lembras-me do quanto me és fiel, do que me segues sem pestanejar. Embalas-me quando o sol se põe, o céu escurece, as janelas se fecha e os lençóis me acolhem. Fá-lo com uma perícia que ninguém alcança. No teu silêncio atroz encosto-me e espero a tua permissão para dormir, enquanto durmo esqueço-me de ti com a fé que na manhã seguinte acordando com o sol atravessando os cortinados , ferindo-me os olhos me dês folga da tua presença. Lá estás tu.. fiel e renegada. A solidão.

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