quinta-feira, 4 de outubro de 2012

"Eu e os mundos diferentes" ...

Sinto-me bem entre mundos diferentes porque, ao contrário do que julgam, sou tolerante. Dá-me gozo entender vários mundos. Recostada naquela cadeira dura, fria e a cambalear, esperava ansiosamente pela voz autoritária que me chamasse. No vão daquela espera interminável, no fundo, sabia-o. Os vários sons, zumbidos, murmúrios ocupavam a minha atenção e pensamento. Ai...
se eu exteriorizasse todos os meus pensamentos! Ajudando assim generosamente o tempo a passar. Neste momento sempre tão tranquilo, quase de introspecção. A TV servia-se do sensacionalismo com o objetivo de captar as atenções e conseguia-o, afinal de contas a vida e os podres dos outros são sempre mais interessantes que os nossos. Uma voz estridente soava no meio do fascínio pelo tema, aborrecia pelos agudos. As rececionistas nas suas comuns trocas de galhardetes, pormenores tão pessoais quanto dispensáveis. Pessoas na sua velhice a resmungar com as dores nos ossos, do clima, da crise. A tal crise, a tal mal fadada crise irritante e recorrente “Isto agora está uma miséria!” Pois, no “tempo deles” é que era bom, era bem melhor de facto. Onde uma sardinha dava, tinha de dar para cinco ou seis pessoas, até as espinhas iam com certeza. Onde as crianças começavam a trabalhar ainda na infância e pré-adolescência, deixando as suas famílias muito cedo e assim irem servir em casas de ricos e manientos. Tempos esses onde a moral era tanta e tão pouca que faziam por engravidar para assim conseguirem fugir aos seus pais alegando maus tratos, (ou seria desculpa)? Como é óbvio não me foi possível vivenciar esses tempos fantásticos, no entanto, apraz-me falar sobre o que é do conhecimento geral, ironicamente referido pelos mesmos experientes agora na fase da velhice, ou segunda infância. Ocorre-me primordiais frases pronunciadas com o cúmulo dos orgulhos: ”No meu tempo as mulheres andavam “debaixo” dos homens, hoje são umas galdérias”. É de ter orgulho? Antes galdéria e livre, do que falsa santa e aprisionada. De falsos moralismos está a nossa sociedade empestada. Será motivo de orgulho, gritarem a alta voz que passavam fome? Como se hoje não houvesse quem soubesse do que se trata passar fome! “No meu tempo as mulheres andavam vestidas decentemente!” Isso sim, bendita decência ou decadência, essa que levava as mulheres vestidas decentemente ao altar grávidas na maioria das vezes. Tão contraditório. Resultado porém, dos namoros à janela, possivelmente. Concluímos então que a decência não está de todo ligada com a moralidade, dignidade e o respeito. Como estas, outras situações idênticas que mancham a geração da perfeição, que por sua vez rotulam a geração à rasca que nada mais é que o fruto da geração das lamentações com a situação atual. Não quero portanto com isto dizer que hoje sim, é perfeito. Nada disso. Saliento sim, que nunca o será, a condição humana não o permite. Há sim lugares para tudo e todos neste mundo imperfeito onde a perfeição é um objetivo inalcançável, e se acumulam demasiados erros humanos que nos tornam miseráveis.

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